domingo, 17 de agosto de 2008

Sua pequena... grande insensatez!

Olhar persistente
lábios ardentes
pensamentos indecentes
gosto que gosto de gostar...
Cheiro que cheiro
pele que beijo
ar que falta, ar.
Jogo que jogo
derrota que não olho
porque o gostoso é conquistar.
Sou o que sou
vou no que vou
sem medo de errar.
A ousadia
que me faz amanhecer o dia
a digitar,
que me deixa em demência
pensando em você
sem mensurar.
Quero sua boca em meu pescoço
seu apogeu no meu
quero porque quero te querer
mas nem tão perto assim...
Linha tênue,
erro
Linha tênue,
pecado
Linha tênue,
você em mim enroscado.
Esta vai pra você
que viu meu sangue ferver
por onde seus beijos passaram
que me causou apnéia,
dispnéia,
frisson,
e todos os sentidos que me faltaram
quando seus braços me pegaram
me roubando o beijo inevitável.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Vida louca vida

Uma vida é pouco para tudo o que preciso.
Ler todos os livros
ver todos os filmes
conhecer o mundo...
Amar, amar e amar
sem cobranças
sem lar.
Curtir, viajar
É pouco para rir
ou chorar
Ouvir músicas
voar
No espelho se ver
envelhecer
transcender...
Uma vida é pouco para te encontrar
porque a vida nos desencanta
na mesma velocidade e reciprocidade
que encanta.
Vamos dançar no tempo
vamos em direção ao vento
vamos nos abraçar
e vou dizer
que uma vida é pouco
para externar
toda alegria que há aqui dentro
em meu peito batendo
e espalhando todo amor e vontade de ficar
após o tempo regulamentar
só pra rir mais um pouquinho
dessa vida louca vida.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Encontros e Reencontros

Zero horas.
Ponto de partida,
saída para o prazer.
Pele hidratada;
sainha plissada
tez maquiada.
Lábios brilhantes
odores provocantes
olhares flechantes.
Bebidas divertidas
luzes coloridas
gente bonita
Noite carioca.
As estrelas, o mar, o redentor,
Braços sempre abertos para a liberdade.
iluminismo,
psicodelismo,
Boa idade.
A música agita,
o músculo vibra
o corpo expressa
toda a sensualidade.
Calor, instinto, rubor.
Minha dança é sua
é pra te chamar
é pra seu beijo provar.
Suas mãos que me envolvem
em canções,
invasões.
Seu cheiro,
Seu beijo,
Meu desejo...
O sol nos saúda
E digo que te amo.
Amo...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Aurora em São Tomé












Aquarela celeste
nascente
leste
Vermelho quente
Rosa o rosto de quem olha
Verde
pequenas montanhas
que me suspendem.
Branco
nuvens ondas
mantas de mar imaginárias.
Roxo
frio que castiga a ponta do meu nariz
presente na florzinha,
atriz,
que finge estar quentinha.
O negro,
universo agora imerso,
é azul
de ponta a ponta;
de cabo à rabo;
de norte à sul.
O amarelo
vem do horizonte
bola de fogo,
ofuscante
Paraíso ascendente
que me deixa estupefata,
dormente,
inerte como as pedras que me acomodam.
Trio letrado
Sol,
Soberano Olho Latente,
de são;
de letras;
de doidão.
Olho do Pai,
que dá bom dia
nos abençoa e nos guia
por esta cidade fantasia
São Tomé das Letras.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

...











Sala, som

saxofone no gramophone

meu corpo jogado ao chão.

Só eu na escuridão

pensando, pensando...

A mente

quente telão

projeta loucuras

paixão, suor, tesão.

O filme chega ao fim

solidão.

O sal de agora,

lágrimas de momento são.

Adormeço,

amanhã é outro dia.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Eólico












O vento eriça meus cabelos

E é ele quem vos fala.

Mas não é só minha tão bela dádiva.

As copas das árvores

felizes,

se põem a balançar.

Soltam suas folhas filhas

a rodopiarem pelo ar

Cata-ventos de luar.

Sempre artista

faz do céu, lar.

Usa portas e janelas para assobiar

ou, um bater replicante de telhas

a me chatear.

Na noite de hoje,

agradável, quente, coisa rara.

Em muitas outras

cortante, implicante

a me congelar.

Com você,

a terra é vida, movimento.

As aves se põem a planar;

o barco a velejar;

a areia a cegar;

a energia inteligente a gerar;

o mensageiro a tocar;

e tudo o mais ser

sensível,

singular.



quarta-feira, 16 de abril de 2008

Inverso do verso

Eu sou o verso cantado
o inverso malgrado
a nota macia e harmônica
a sílaba tônica
da palavra poesia.
Sou rosa galanteada
de espinhos adornada
para me defender.
Sou dúvida ativa
e diva,
de sorriso largo e olhos amendoados.
Sou mutante,
camaleoa,
a teimosia em pessoa
que dispensa o insignificante.
Sou leveza, pureza e maldade
que engendra momentos de felicidade
e devora a castidade.
Sou judas,
que trai a minha própria santidade
me entregando à vontade
aos beijos de volúpia.
Não sou quebra-cabeças
pois não tenho início,
nem fim,
então, não tentes me prender em mim.
Sou pássaro livre
que outros horizontes avista e almeja
na certeza de chegar.
Não sou patricinha
nem qualquer coisinha
sou colcha de retalhos, popular
reciclável e colorida
um pouco moderna
um pouco antiga
graciosa e criativa.
Não sou só
nem acompanhada
sou de onde tiver vida,
oxigênio, alegria.
Sou inteira e não dividida.
E não descarto,
se um dia de fato
no imerso universo da rotina
eu ser o inverso
o contrário,
do meu próprio verso.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Constante











Minha alma roubada
Dilacerada
Desmantelada...
Minha concepção
Até então imaculada
É invadida
Molestada.
Não existe fôrma pré-moldada
Para a semente plantada
Que sem pudor é germinada
E virando flor
Exala o olor
Da paixão inesperada.
Moro assim,
Na filosofia do sim
Que transborda a esperança
Pelo beijo em estopim
Que ao chegar
Minha alma devolverá
Fazendo jus ao seu lugar
Devolvendo a vida em poesias
Para que possas declamar.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Terça










Teus braços em mim
Bruma macia que me enlaça
dimensão que distancia
a rejeitada solidão.
Nada preciso provar
Apenas ficar
Do seu carinho me alimentar
Com sorriso e pureza
O mundo movimentar.
Falar tanto até ficar muda
e em seu colo
Adormecer...
Ser, crescer, pagar pra ver
Cumplicidade ter, e;
Nada temer.
Dançar, tentar, chorar
E tudo ser chama
Que chama sem machucar.
Fitar seu sono
Criança em homem
Lindo, dócil, apaixonante.
Respirar seus sonhos mais simples
E sem sufocar, apenas ser mais.
Com a paz em mim,
Sorrir.
Almejar laços de paixão
Cuidar de ti.
Uma terapia intensiva de amor
Para nos completar
E a vida ganhar
De tanto amar-te.

terça-feira, 4 de março de 2008

Em par









Diante de mim,
o céu.
Azul resplandecente,
que brada a beleza
num bailado intermitente no ar.
Seu brilho vem do cristal estrelar
Meu olhar renitente
o fita sem pestanejar
Letárgico, frouxo, prostrado,
sem chance de disfarçar.
Num solilóquio poético
entre a razão e a utopia
me foge a conclusão.
O real,
paramentado de sonho.
Uma inquieta indecisão
torna o celeste em escuridão.
E mais uma vez,
me contento então.
Não me falhas a intenção
mas não me apresso não.
Estarei sempre a contemplar,
incognitamente fascinante
o céu,
meu azul em par.