quarta-feira, 11 de junho de 2008

Encontros e Reencontros

Zero horas.
Ponto de partida,
saída para o prazer.
Pele hidratada;
sainha plissada
tez maquiada.
Lábios brilhantes
odores provocantes
olhares flechantes.
Bebidas divertidas
luzes coloridas
gente bonita
Noite carioca.
As estrelas, o mar, o redentor,
Braços sempre abertos para a liberdade.
iluminismo,
psicodelismo,
Boa idade.
A música agita,
o músculo vibra
o corpo expressa
toda a sensualidade.
Calor, instinto, rubor.
Minha dança é sua
é pra te chamar
é pra seu beijo provar.
Suas mãos que me envolvem
em canções,
invasões.
Seu cheiro,
Seu beijo,
Meu desejo...
O sol nos saúda
E digo que te amo.
Amo...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Aurora em São Tomé












Aquarela celeste
nascente
leste
Vermelho quente
Rosa o rosto de quem olha
Verde
pequenas montanhas
que me suspendem.
Branco
nuvens ondas
mantas de mar imaginárias.
Roxo
frio que castiga a ponta do meu nariz
presente na florzinha,
atriz,
que finge estar quentinha.
O negro,
universo agora imerso,
é azul
de ponta a ponta;
de cabo à rabo;
de norte à sul.
O amarelo
vem do horizonte
bola de fogo,
ofuscante
Paraíso ascendente
que me deixa estupefata,
dormente,
inerte como as pedras que me acomodam.
Trio letrado
Sol,
Soberano Olho Latente,
de são;
de letras;
de doidão.
Olho do Pai,
que dá bom dia
nos abençoa e nos guia
por esta cidade fantasia
São Tomé das Letras.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

...











Sala, som

saxofone no gramophone

meu corpo jogado ao chão.

Só eu na escuridão

pensando, pensando...

A mente

quente telão

projeta loucuras

paixão, suor, tesão.

O filme chega ao fim

solidão.

O sal de agora,

lágrimas de momento são.

Adormeço,

amanhã é outro dia.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Eólico












O vento eriça meus cabelos

E é ele quem vos fala.

Mas não é só minha tão bela dádiva.

As copas das árvores

felizes,

se põem a balançar.

Soltam suas folhas filhas

a rodopiarem pelo ar

Cata-ventos de luar.

Sempre artista

faz do céu, lar.

Usa portas e janelas para assobiar

ou, um bater replicante de telhas

a me chatear.

Na noite de hoje,

agradável, quente, coisa rara.

Em muitas outras

cortante, implicante

a me congelar.

Com você,

a terra é vida, movimento.

As aves se põem a planar;

o barco a velejar;

a areia a cegar;

a energia inteligente a gerar;

o mensageiro a tocar;

e tudo o mais ser

sensível,

singular.



quarta-feira, 16 de abril de 2008

Inverso do verso

Eu sou o verso cantado
o inverso malgrado
a nota macia e harmônica
a sílaba tônica
da palavra poesia.
Sou rosa galanteada
de espinhos adornada
para me defender.
Sou dúvida ativa
e diva,
de sorriso largo e olhos amendoados.
Sou mutante,
camaleoa,
a teimosia em pessoa
que dispensa o insignificante.
Sou leveza, pureza e maldade
que engendra momentos de felicidade
e devora a castidade.
Sou judas,
que trai a minha própria santidade
me entregando à vontade
aos beijos de volúpia.
Não sou quebra-cabeças
pois não tenho início,
nem fim,
então, não tentes me prender em mim.
Sou pássaro livre
que outros horizontes avista e almeja
na certeza de chegar.
Não sou patricinha
nem qualquer coisinha
sou colcha de retalhos, popular
reciclável e colorida
um pouco moderna
um pouco antiga
graciosa e criativa.
Não sou só
nem acompanhada
sou de onde tiver vida,
oxigênio, alegria.
Sou inteira e não dividida.
E não descarto,
se um dia de fato
no imerso universo da rotina
eu ser o inverso
o contrário,
do meu próprio verso.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Constante











Minha alma roubada
Dilacerada
Desmantelada...
Minha concepção
Até então imaculada
É invadida
Molestada.
Não existe fôrma pré-moldada
Para a semente plantada
Que sem pudor é germinada
E virando flor
Exala o olor
Da paixão inesperada.
Moro assim,
Na filosofia do sim
Que transborda a esperança
Pelo beijo em estopim
Que ao chegar
Minha alma devolverá
Fazendo jus ao seu lugar
Devolvendo a vida em poesias
Para que possas declamar.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Terça










Teus braços em mim
Bruma macia que me enlaça
dimensão que distancia
a rejeitada solidão.
Nada preciso provar
Apenas ficar
Do seu carinho me alimentar
Com sorriso e pureza
O mundo movimentar.
Falar tanto até ficar muda
e em seu colo
Adormecer...
Ser, crescer, pagar pra ver
Cumplicidade ter, e;
Nada temer.
Dançar, tentar, chorar
E tudo ser chama
Que chama sem machucar.
Fitar seu sono
Criança em homem
Lindo, dócil, apaixonante.
Respirar seus sonhos mais simples
E sem sufocar, apenas ser mais.
Com a paz em mim,
Sorrir.
Almejar laços de paixão
Cuidar de ti.
Uma terapia intensiva de amor
Para nos completar
E a vida ganhar
De tanto amar-te.

terça-feira, 4 de março de 2008

Em par









Diante de mim,
o céu.
Azul resplandecente,
que brada a beleza
num bailado intermitente no ar.
Seu brilho vem do cristal estrelar
Meu olhar renitente
o fita sem pestanejar
Letárgico, frouxo, prostrado,
sem chance de disfarçar.
Num solilóquio poético
entre a razão e a utopia
me foge a conclusão.
O real,
paramentado de sonho.
Uma inquieta indecisão
torna o celeste em escuridão.
E mais uma vez,
me contento então.
Não me falhas a intenção
mas não me apresso não.
Estarei sempre a contemplar,
incognitamente fascinante
o céu,
meu azul em par.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Tardinha











Vida
Arco-íris
Belezas multicoloridas
Alegria, alegria!
Se doar todos os dias
Emoção maior
Canção em sol, não em dó
Estender as mãos
única direção
O bem.
Saltitar,
Lançar o corpo ao ar
Deixar a paz sustentar
E a luz irradiar.
O cabelo ao vento quero deixar
O sorriso no rosto estampar
Ao mal não dar lugar
E canções singelas entoar.
Ter olhos de criança
Alimentar a esperança
Humanizar.
Ter felicidade por ser feliz
Nas tardes simples ser aprendiz
Andar na mansidão da benignidade
E assim ser, ao meu próximo;
num infinito contagiar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Anseios











Os olhos pesam
descem
deslizam lacrimejantes
Atinjo o inconsciente
delírio demente
A luz ausente
me permite sonhar
criar asas
voar
concatenar anseios
Atordoante desejo antigo
materializado no novo
assim posso esperar
Encontrar o rubor da insensatez
e tuas falas decorar
Oh, paixão escondida!
Que tripudia e me evita
por favor me permita
quero dançar na aurora brilhante
refletida em meus olhos
me deleitar no calor e no acelerar do miocardio
e ser tão involuntária quanto
Venhas tu, ó cruel ausente
me envolver em teus beijos incansáveis
e puramente amáveis
que me tira o chão dos pés...
Suspenda-me com tua força
deixe que adormeça em teus braços que me afagas
permita-me remeter às quimeras do teu ser
e nos arredores da vida
dedicar meu bel prazer
ao doce favo do amor.